Esquecimento e névoa mental na menopausa: por que acontecem e como tratar?
Você está em uma reunião no trabalho, falando sobre um assunto que domina há anos, e as palavras simplesmente somem. O estudo SWAN (Study of Women’s Health Across the Nation), que acompanhou mulheres durante a transição menopausal, identificou alterações no desempenho cognitivo nessa fase, especialmente na aprendizagem verbal. O sono, as oscilações hormonais, o humor e a saúde metabólica podem influenciar a memória e a concentração, e identificar esses fatores é essencial para direcionar o tratamento das mulheres na perimenopausa.
Sou a Dra. Karol Thé, médica com RQE em Clínica Médica, Geriatria e Medicina da Dor. Na clínica Dra. Karol Thé | Medicina de Precisão e Longevidade, a investigação das alterações de memória faz parte do programa Ascenda Mais Leve 40+, dedicado às mulheres na perimenopausa e na menopausa, com uma primeira consulta de uma hora e meia.
Esquecer uma palavra ocasionalmente pode acontecer. Conviver com falhas de memória que afetam sua vida profissional e sua confiança merece investigação.
Tópicos
- Falhas de memória e concentração podem ser sintomas da menopausa?
- Brain fog: quais são os principais sintomas?
- Por quanto tempo a menopausa pode afetar a memória?
- Noites mal dormidas podem afetar a memória?
- Esquecimento na menopausa ou início de Alzheimer: como diferenciar?
- Esquecimentos aos 58 anos podem indicar demência?
- A reposição hormonal pode prevenir a demência?
- Quais exames são necessários para investigar alterações de memória?
- Quais tratamentos podem melhorar a névoa mental na menopausa?
- Geriatra para avaliação de memória no Jardins: Geriatria não é só para idosos?
Falhas de memória e concentração podem ser sintomas da menopausa?
Sim. Esquecer uma palavra durante uma apresentação, perder o raciocínio no meio de uma reunião ou precisar reler várias vezes a mesma informação são situações que podem ocorrer durante a perimenopausa e a menopausa.
As oscilações hormonais dessa fase podem prejudicar as funções cognitivas, especialmente a memória e a concentração. Alterações no sono, no humor e no metabolismo também podem contribuir para esses episódios.
Para uma mulher acostumada a liderar, tomar decisões, conduzir reuniões e lidar com diferentes responsabilidades, mesmo no dia a dia, essas falhas podem trazer uma preocupação que vai além do esquecimento: a sensação de estar perdendo uma capacidade que sempre fez parte da sua vida.
Brain fog: quais são os principais sintomas?
A névoa mental, também conhecida como brain fog, é um termo utilizado para descrever alterações na memória, na atenção e na velocidade de raciocínio. Não se trata de um diagnóstico, mas de um conjunto de sintomas cognitivos que podem surgir durante a transição menopausal.
No dia a dia, essas alterações podem se manifestar de diferentes formas:
- Perder a linha de raciocínio após uma interrupção;
- Ter dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa;
- Precisar de mais tempo e concentração para realizar tarefas habituais;
- Esquecer informações ou compromissos que antes lembrava com facilidade.
Esses sintomas também podem ocorrer junto a mudanças na qualidade do sono, estresse crônico, deficiências nutricionais, alterações na função da tireoide e oscilações de humor. Por isso, é importante avaliar o contexto clínico de cada mulher, em vez de atribuir todas as dificuldades cognitivas exclusivamente às mudanças hormonais.
Por quanto tempo a menopausa pode afetar a memória?
A névoa mental pode ser transitória, com sintomas mais perceptíveis durante a perimenopausa e possível melhora após a menopausa. No entanto, não existe um prazo definido para sua duração, e a evolução varia entre as mulheres.
Um estudo publicado na revista Neurology, em 2009, acompanhou 2.362 mulheres durante quatro anos e identificou alterações no desempenho cognitivo durante a transição menopausal, com melhora em determinados testes após essa fase. Contudo, isso não significa que você precise esperar os sintomas desaparecerem. A perimenopausa pode durar anos, e dificuldades persistentes de memória e concentração merecem avaliação médica para identificar suas causas e dirigir de forma precisa o tratamento.
Noites mal dormidas podem afetar a memória?
Sim. A qualidade do sono influencia diretamente a memória, a atenção e a concentração.
Quando essas noites mal dormidas são frequentes, é comum perceber mais esquecimentos, dificuldade para manter o raciocínio e cansaço mental ao longo do dia.
Além dos efeitos imediatos, a qualidade do sono merece atenção pela sua relação com a saúde cerebral a longo prazo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui o sono ruim entre os fatores que aumentam o risco de declínio cognitivo e demência.
Investigar e tratar os distúrbios do sono durante a transição menopausal é indispensável para melhorar a concentração, reduzir os esquecimentos e preservar seu desempenho profissional e a saúde cerebral.
Esquecimento na menopausa ou início de Alzheimer: como diferenciar?
A principal diferença está na evolução dos sintomas e no impacto sobre a rotina. Esquecimentos associados à transição menopausal podem exigir mais esforço para realizar tarefas habituais, sem comprometer a autonomia, que é a capacidade do indivíduo de tomar decisões por conta própria. Já os quadros de demência envolvem alterações cognitivas que tendem a progredir e prejudicar as atividades de vida diária com impacto na sua capacidade funcional.
Um exemplo simples, mas esclarecedor é: na transição para a menopausa, é comum esquecer onde você guardou a chave do carro, na demência, você não lembrará para que serve essa chave.
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência em todo o mundo.
Alguns sinais ajudam a identificar quando os esquecimentos merecem investigação:
| O que se observa | Alterações associadas à menopausa | Alterações que podem indicar outras condições |
|---|---|---|
| Esquecimento | Esquecimentos ocasionais | Esquecimento recorrente |
| Rotina | Atividades preservadas, embora exijam mais esforço | Dificuldade crescente em tarefas habituais |
| Evolução | Oscilações no desempenho cognitivo | Comprometimento progressivo |
| Orientação | Geralmente preservada | Desorientação em lugares conhecidos |
A tabela apresentada tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica, essencial para investigar as causas prováveis de esquecimentos e outras alterações cognitivas.
Esquecimentos aos 58 anos podem indicar demência?
Não. O diagnóstico de demência não é determinado por uma falha pontual na memória e exige uma investigação clínica que considere o histórico de saúde e a presença de prejuízo em outras funções cognitivas. Exames laboratoriais e de imagem cerebral também fazem parte da avaliação diagnóstica da doença.
O mais comum é que os esquecimentos que ocorrem antes dos 60 anos sejam decorrentes de alterações hormonais, deficiências de ferro e de vitamina B12, transtornos de humor, como depressão ou ansiedade e outras condições crônicas, como fibromialgia, alcoolismo, estresse, e etc.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca fatores que aumentam o risco de demência e que podem ser medidos e tratados: pressão alta, diabetes, obesidade, depressão, perda de visão e de audição, sono ruim, tabagismo, álcool em excesso, sedentarismo e isolamento social.
No consultório, essa análise permite identificar condições que podem ser tratadas e definir estratégias individualizadas para preservar a saúde cerebral e a qualidade de vida ao longo dos anos.
A reposição hormonal pode prevenir a demência?
Não. A reposição hormonal não deve ser prescrita com a finalidade de prevenir demência, pois a literatura científica não comprova esse efeito protetor direto.
É inquestionável que a reposição é importante para a saúde cerebral. Os hormônios têm papel importante na saúde do cérebro, e a reposição hormonal bem conduzida pode melhorar o sono, o humor e a concentração de muitas mulheres, embora não deva ser indicada para prevenir demência.
Quando associamos os exames de precisão à abordagem clínica no Programa Ascenda Omnia - Saúde de Precisão, mapeamos a bioquímica individual de cada mulher, por meio dos fatores genéticos, metabólicos e inflamatórios. Isso permite atuar nas raízes causais do declínio cognitivo, melhorando a reserva funcional e a longevidade com segurança.
Quais exames são necessários para investigar alterações de memória?
A avaliação da memória envolve uma investigação clínica criteriosa e individualizada, que considera um interrogatório médico dirigido para os sintomas, o histórico de saúde, doenças clínicas associadas, uso de medicamentos, avaliação do perfil hormonal, nutrição e hábitos de vida.
Em mulheres na perimenopausa e menopausa, a avaliação laboratorial básica deve incluir: hemograma completo, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, insulina, função tireoidiana, dosagens de vitaminas B12, folato, ferro, ferritina, homocisteína, proteína C reativa (PCR), função renal e hepática.
A necessidade de testes neuropsicológicos e de exames complementares de imagem cerebral, como a ressonância magnética cerebral vai depender do impacto do prejuízo da queixa de memória que a paciente apresenta.
No Programa Ascenda Omnia - Saúde de Precisão incluímos exames de alta tecnologia para avaliar os aspectos genéticos, metabolômicos e da saúde intestinal, que colaboram para avaliação aprofundada da saúde cerebral e dirige com mais precisão o tratamento.
Quais tratamentos podem melhorar a névoa mental na menopausa?
Sim. O tratamento depende das causas associadas à dificuldade de concentração e pode envolver cuidados com o sono, a saúde hormonal, o metabolismo e a saúde emocional.
A névoa mental no climatério e na menopausa ocorre pela oscilação e queda dos níveis de estradiol, o que prejudica o metabolismo bioenergético cerebral, as sinapses neuronais e a modulação dos neurotransmissores.
O tratamento clínico exige uma abordagem individualizada, funcional e integrada em 3 pilares principais:
1. Terapia de Reposição Hormonal (TRH) com estradiol e progesterona bioidênticas;
2. Nutracêuticos neuroprotetores, como coenzima Q10, magnésio treonato, e ômega 3, por exemplo.
3. Estratégias de estilo de vida: exercício físico regular, melhora da qualidade do sono, tratamento da resistência insulínica e obesidade.
No programa Ascenda Mais Leve 40+, a investigação da névoa mental faz parte de uma abordagem individualizada da perimenopausa e da menopausa. Conforme a avaliação clínica, o tratamento deve incluir terapia hormonal ou terapias complementares não hormonais, acompanhamento nutricional, terapias nutricionais injetáveis, e tratamento dirigido para perda de peso e resistência insulínica.
Para mulheres que buscam uma avaliação mais ampla da saúde metabólica e da longevidade, o Programa Ascenda Omnia – Saúde de Precisão oferece recursos de alta tecnologia, como análises genéticas, metabolômicas e da microbiota intestinal. Esses exames permitem uma avaliação aprofundada da saúde pelo olhar da medicina e nutrição de precisão.
Veja, um dos inúmeros casos que atendo todos os dias: uma médica e professora, de 51 anos, no primeiro ano da menopausa, esqueceu o notebook que utilizaria em um importante evento acadêmico. Após me procurar, realizamos uma avaliação aprofundada e definimos um tratamento individualizado, com ajustes hormonais e suplementação nutricional. O acompanhamento também incluiu estratégias de autogerenciamento, essenciais para que ela aprendesse a reconhecer seus limites e respeitar as necessidades do próprio corpo.
Geriatra para avaliação de memória no Jardins: Geriatria não é só para idosos?
Não. A Geriatria com abordagem integrativa e funcional atua na prevenção e nas mudanças biológicas associadas ao envelhecimento, muito antes da terceira idade. A avaliação da memória faz parte desse cuidado, especialmente quando surgem dificuldades de concentração, esquecimentos frequentes ou alterações no desempenho cognitivo na perimenopausa e menopausa.
Na avaliação clínica, considero o cuidado e preservação da memória inseparável de outros aspectos da saúde, como o sono, as alterações hormonais, o metabolismo e a história de cada paciente. Essa investigação permite identificar a causa raiz de problemas e orientar o tratamento de forma mais individualizada e precisa.
Dra. Karol Thé
Atenção à prevenção, à preservação da autonomia e à qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
Perguntas frequentes
Qual é o papel da Geriatria na avaliação da memória?
A Geriatria funcional e integrativa atua na prevenção e no tratamento das alterações cognitivas ao longo do envelhecimento, inclusive antes da terceira idade. Durante a perimenopausa e a menopausa, a avaliação e tratamento da névoa mental é inseparável do cuidado voltado ao sono, às mudanças hormonais, ao metabolismo, ao humor de cada mulher. Essa abordagem integrada e associada aos exames da medicina e nutrição de precisão permite identificar e tratar a causa raiz do problema e definir estratégias individualizadas para preservar a saúde cerebral, a autonomia e a qualidade de vida.
Preciso levar exames na primeira consulta?
Após o agendamento, a equipe de enfermagem reúne seu histórico de saúde e os resultados que você já possui. Durante a avaliação médica, identifico a necessidade de exames complementares, considerando seus sintomas e as informações clínicas disponíveis.
Como funciona a primeira consulta e o acompanhamento após a avaliação?
A primeira consulta dura em média uma hora e meia, com tempo dedicado à escuta, à investigação dos sintomas e à definição de um programa de tratamento individualizado. O acompanhamento continua após a consulta, com consultas de acompanhamento e suporte da equipe de enfermagem, de segunda a sexta-feira, por meio de um canal para dúvidas e orientações durante o tratamento.
Agende a sua avaliação
Se os esquecimentos e a dificuldade de concentração já interferem na sua rotina, no trabalho ou na qualidade de vida, é importante compreender o que está por trás dessas mudanças.
Na clínica Dra. Karol Thé | Medicina de Precisão e Longevidade, cada avaliação considera seu histórico de saúde, seus sintomas e as particularidades desta fase da vida, com atenção à saúde cerebral e ao envelhecimento feminino.
O atendimento é realizado com horário agendado, de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, na Rua Dr. Sampaio Ferraz, 82, Jardim Paulista, São Paulo.
Para agendar sua consulta, entre em contato pelo WhatsApp: (11) 93350-0333. Conheça também os nossos programas de tratamento.
Sobre a autora
Dra. Karol Thé 
Médica especialista em Clínica Médica, Geriatria e Gerontologia e Medicina da Dor em São Paulo. CRM-SP 109161 e RQE 92735, 92736 e 927351.
Médica desde 2002, com formação em Clínica Médica e Geriatria pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, Medicina da Dor pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pós-graduação em Endocrinologia e Nutrologia. Membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, com atuação abrangente na saúde da mulher na transição menopausal com visão integrada pela medicina e nutrição de precisão.