Esquecimento e névoa mental na menopausa: por que acontecem e como tratar?

Você está em uma reunião no trabalho, falando sobre um assunto que domina há anos, e as palavras simplesmente somem. O estudo SWAN (Study of Women’s Health Across the Nation), que acompanhou mulheres durante a transição menopausal, identificou alterações no desempenho cognitivo nessa fase, especialmente na aprendizagem verbal. O sono, as oscilações hormonais, o humor e a saúde metabólica podem influenciar a memória e a concentração, e identificar esses fatores é essencial para direcionar o tratamento das mulheres na perimenopausa.
Sou a Dra. Karol Thé, médica com RQE em Clínica Médica, Geriatria e Medicina da Dor. Na clínica Dra. Karol Thé | Medicina de Precisão e Longevidade, a investigação das alterações de memória faz parte do programa Ascenda Mais Leve 40+, dedicado às mulheres na perimenopausa e na menopausa, com uma primeira consulta de uma hora e meia.
Esquecer uma palavra ocasionalmente pode acontecer. Conviver com falhas de memória que afetam sua vida profissional e sua confiança merece investigação.

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Falhas de memória e concentração podem ser sintomas da menopausa?

Sim. Esquecer uma palavra durante uma apresentação, perder o raciocínio no meio de uma reunião ou precisar reler várias vezes a mesma informação são situações que podem ocorrer durante a perimenopausa e a menopausa.

As oscilações hormonais dessa fase podem prejudicar as funções cognitivas, especialmente a memória e a concentração. Alterações no sono, no humor e no metabolismo também podem contribuir para esses episódios.

Para uma mulher acostumada a liderar, tomar decisões, conduzir reuniões e lidar com diferentes responsabilidades, mesmo no dia a dia, essas falhas podem trazer uma preocupação que vai além do esquecimento: a sensação de estar perdendo uma capacidade que sempre fez parte da sua vida.

Brain fog: quais são os principais sintomas?

A névoa mental, também conhecida como brain fog, é um termo utilizado para descrever alterações na memória, na atenção e na velocidade de raciocínio. Não se trata de um diagnóstico, mas de um conjunto de sintomas cognitivos que podem surgir durante a transição menopausal.

No dia a dia, essas alterações podem se manifestar de diferentes formas:

  • Perder a linha de raciocínio após uma interrupção;
  • Ter dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa;
  • Precisar de mais tempo e concentração para realizar tarefas habituais;
  • Esquecer informações ou compromissos que antes lembrava com facilidade.

Esses sintomas também podem ocorrer junto a mudanças na qualidade do sono, estresse crônico, deficiências nutricionais, alterações na função da tireoide e oscilações de humor. Por isso, é importante avaliar o contexto clínico de cada mulher, em vez de atribuir todas as dificuldades cognitivas exclusivamente às mudanças hormonais.

Por quanto tempo a menopausa pode afetar a memória?

A névoa mental pode ser transitória, com sintomas mais perceptíveis durante a perimenopausa e possível melhora após a menopausa. No entanto, não existe um prazo definido para sua duração, e a evolução varia entre as mulheres.

Um estudo publicado na revista Neurology, em 2009, acompanhou 2.362 mulheres durante quatro anos e identificou alterações no desempenho cognitivo durante a transição menopausal, com melhora em determinados testes após essa fase. Contudo, isso não significa que você precise esperar os sintomas desaparecerem. A perimenopausa pode durar anos, e dificuldades persistentes de memória e concentração merecem avaliação médica para identificar suas causas e dirigir de forma precisa o tratamento.

Noites mal dormidas podem afetar a memória?

Sim. A qualidade do sono influencia diretamente a memória, a atenção e a concentração.

Quando essas noites mal dormidas são frequentes, é comum perceber mais esquecimentos, dificuldade para manter o raciocínio e cansaço mental ao longo do dia.

Além dos efeitos imediatos, a qualidade do sono merece atenção pela sua relação com a saúde cerebral a longo prazo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui o sono ruim entre os fatores que aumentam o risco de declínio cognitivo e demência.

Investigar e tratar os distúrbios do sono durante a transição menopausal é indispensável para melhorar a concentração, reduzir os esquecimentos e preservar seu desempenho profissional e a saúde cerebral.

Esquecimento na menopausa ou início de Alzheimer: como diferenciar?

A principal diferença está na evolução dos sintomas e no impacto sobre a rotina. Esquecimentos associados à transição menopausal podem exigir mais esforço para realizar tarefas habituais, sem comprometer a autonomia, que é a capacidade do indivíduo de tomar decisões por conta própria. Já os quadros de demência envolvem alterações cognitivas que tendem a progredir e prejudicar as atividades de vida diária com impacto na sua capacidade funcional.
Um exemplo simples, mas esclarecedor é: na transição para a menopausa, é comum esquecer onde você guardou a chave do carro, na demência, você não lembrará para que serve essa chave.
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência em todo o mundo.

Alguns sinais ajudam a identificar quando os esquecimentos merecem investigação:

O que se observa Alterações associadas à menopausa Alterações que podem indicar outras condições
Esquecimento Esquecimentos ocasionais Esquecimento recorrente
Rotina Atividades preservadas, embora exijam mais esforço Dificuldade crescente em tarefas habituais
Evolução Oscilações no desempenho cognitivo Comprometimento progressivo
Orientação Geralmente preservada Desorientação em lugares conhecidos

A tabela apresentada tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica, essencial para investigar as causas prováveis de esquecimentos e outras alterações cognitivas.

Infográfico: esquecimentos na menopausa, alterações associadas à transição e alterações que podem indicar outras condições, e a cognição no centro de uma avaliação integrada, ligada a sono, hormônios, metabolismo, humor, nutrição e estresse, por Dra. Karol Thé

Esquecimentos aos 58 anos podem indicar demência?

Não. O diagnóstico de demência não é determinado por uma falha pontual na memória e exige uma investigação clínica que considere o histórico de saúde e a presença de prejuízo em outras funções cognitivas. Exames laboratoriais e de imagem cerebral também fazem parte da avaliação diagnóstica da doença.
O mais comum é que os esquecimentos que ocorrem antes dos 60 anos sejam decorrentes de alterações hormonais, deficiências de ferro e de vitamina B12, transtornos de humor, como depressão ou ansiedade e outras condições crônicas, como fibromialgia, alcoolismo, estresse, e etc.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca fatores que aumentam o risco de demência e que podem ser medidos e tratados: pressão alta, diabetes, obesidade, depressão, perda de visão e de audição, sono ruim, tabagismo, álcool em excesso, sedentarismo e isolamento social.

No consultório, essa análise permite identificar condições que podem ser tratadas e definir estratégias individualizadas para preservar a saúde cerebral e a qualidade de vida ao longo dos anos.

A reposição hormonal pode prevenir a demência?

Não. A reposição hormonal não deve ser prescrita com a finalidade de prevenir demência, pois a literatura científica não comprova esse efeito protetor direto.

É inquestionável que a reposição é importante para a saúde cerebral. Os hormônios têm papel importante na saúde do cérebro, e a reposição hormonal bem conduzida pode melhorar o sono, o humor e a concentração de muitas mulheres, embora não deva ser indicada para prevenir demência.
Quando associamos os exames de precisão à abordagem clínica no Programa Ascenda Omnia - Saúde de Precisão, mapeamos a bioquímica individual de cada mulher, por meio dos fatores genéticos, metabólicos e inflamatórios. Isso permite atuar nas raízes causais do declínio cognitivo, melhorando a reserva funcional e a longevidade com segurança.

Quais exames são necessários para investigar alterações de memória?

A avaliação da memória envolve uma investigação clínica criteriosa e individualizada, que considera um interrogatório médico dirigido para os sintomas, o histórico de saúde, doenças clínicas associadas, uso de medicamentos, avaliação do perfil hormonal, nutrição e hábitos de vida.
Em mulheres na perimenopausa e menopausa, a avaliação laboratorial básica deve incluir: hemograma completo, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, insulina, função tireoidiana, dosagens de vitaminas B12, folato, ferro, ferritina, homocisteína, proteína C reativa (PCR), função renal e hepática.
A necessidade de testes neuropsicológicos e de exames complementares de imagem cerebral, como a ressonância magnética cerebral vai depender do impacto do prejuízo da queixa de memória que a paciente apresenta.
No Programa Ascenda Omnia - Saúde de Precisão incluímos exames de alta tecnologia para avaliar os aspectos genéticos, metabolômicos e da saúde intestinal, que colaboram para avaliação aprofundada da saúde cerebral e dirige com mais precisão o tratamento.

Quais tratamentos podem melhorar a névoa mental na menopausa?

Sim. O tratamento depende das causas associadas à dificuldade de concentração e pode envolver cuidados com o sono, a saúde hormonal, o metabolismo e a saúde emocional.

A névoa mental no climatério e na menopausa ocorre pela oscilação e queda dos níveis de estradiol, o que prejudica o metabolismo bioenergético cerebral, as sinapses neuronais e a modulação dos neurotransmissores.
O tratamento clínico exige uma abordagem individualizada, funcional e integrada em 3 pilares principais:
1. Terapia de Reposição Hormonal (TRH) com estradiol e progesterona bioidênticas;
2. Nutracêuticos neuroprotetores, como coenzima Q10, magnésio treonato, e ômega 3, por exemplo.
3. Estratégias de estilo de vida: exercício físico regular, melhora da qualidade do sono, tratamento da resistência insulínica e obesidade.

No programa Ascenda Mais Leve 40+, a investigação da névoa mental faz parte de uma abordagem individualizada da perimenopausa e da menopausa. Conforme a avaliação clínica, o tratamento deve incluir terapia hormonal ou terapias complementares não hormonais, acompanhamento nutricional, terapias nutricionais injetáveis, e tratamento dirigido para perda de peso e resistência insulínica.

Para mulheres que buscam uma avaliação mais ampla da saúde metabólica e da longevidade, o Programa Ascenda Omnia – Saúde de Precisão oferece recursos de alta tecnologia, como análises genéticas, metabolômicas e da microbiota intestinal. Esses exames permitem uma avaliação aprofundada da saúde pelo olhar da medicina e nutrição de precisão.

Veja, um dos inúmeros casos que atendo todos os dias: uma médica e professora, de 51 anos, no primeiro ano da menopausa, esqueceu o notebook que utilizaria em um importante evento acadêmico. Após me procurar, realizamos uma avaliação aprofundada e definimos um tratamento individualizado, com ajustes hormonais e suplementação nutricional. O acompanhamento também incluiu estratégias de autogerenciamento, essenciais para que ela aprendesse a reconhecer seus limites e respeitar as necessidades do próprio corpo.

Geriatra para avaliação de memória no Jardins: Geriatria não é só para idosos?

Não. A Geriatria com abordagem integrativa e funcional atua na prevenção e nas mudanças biológicas associadas ao envelhecimento, muito antes da terceira idade. A avaliação da memória faz parte desse cuidado, especialmente quando surgem dificuldades de concentração, esquecimentos frequentes ou alterações no desempenho cognitivo na perimenopausa e menopausa.

Na avaliação clínica, considero o cuidado e preservação da memória inseparável de outros aspectos da saúde, como o sono, as alterações hormonais, o metabolismo e a história de cada paciente. Essa investigação permite identificar a causa raiz de problemas e orientar o tratamento de forma mais individualizada e precisa.

Dra. Karol Thé

Atenção à prevenção, à preservação da autonomia e à qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

Perguntas frequentes

Qual é o papel da Geriatria na avaliação da memória?

A Geriatria funcional e integrativa atua na prevenção e no tratamento das alterações cognitivas ao longo do envelhecimento, inclusive antes da terceira idade. Durante a perimenopausa e a menopausa, a avaliação e tratamento da névoa mental é inseparável do cuidado voltado ao sono, às mudanças hormonais, ao metabolismo, ao humor de cada mulher. Essa abordagem integrada e associada aos exames da medicina e nutrição de precisão permite identificar e tratar a causa raiz do problema e definir estratégias individualizadas para preservar a saúde cerebral, a autonomia e a qualidade de vida.

Preciso levar exames na primeira consulta?

Após o agendamento, a equipe de enfermagem reúne seu histórico de saúde e os resultados que você já possui. Durante a avaliação médica, identifico a necessidade de exames complementares, considerando seus sintomas e as informações clínicas disponíveis.

Como funciona a primeira consulta e o acompanhamento após a avaliação?

A primeira consulta dura em média uma hora e meia, com tempo dedicado à escuta, à investigação dos sintomas e à definição de um programa de tratamento individualizado. O acompanhamento continua após a consulta, com consultas de acompanhamento e suporte da equipe de enfermagem, de segunda a sexta-feira, por meio de um canal para dúvidas e orientações durante o tratamento.

Agende a sua avaliação

Se os esquecimentos e a dificuldade de concentração já interferem na sua rotina, no trabalho ou na qualidade de vida, é importante compreender o que está por trás dessas mudanças.

Na clínica Dra. Karol Thé | Medicina de Precisão e Longevidade, cada avaliação considera seu histórico de saúde, seus sintomas e as particularidades desta fase da vida, com atenção à saúde cerebral e ao envelhecimento feminino.

O atendimento é realizado com horário agendado, de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, na Rua Dr. Sampaio Ferraz, 82, Jardim Paulista, São Paulo.

Para agendar sua consulta, entre em contato pelo WhatsApp: (11) 93350-0333. Conheça também os nossos programas de tratamento.

Sobre a autora

Dra. Karol Thé Dra. Karol Thé, médica com RQE em Clínica Médica, Geriatria e Medicina da Dor

Médica especialista em Clínica Médica, Geriatria e Gerontologia e Medicina da Dor em São Paulo. CRM-SP 109161 e RQE 92735, 92736 e 927351.

Médica desde 2002, com formação em Clínica Médica e Geriatria pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, Medicina da Dor pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pós-graduação em Endocrinologia e Nutrologia. Membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, com atuação abrangente na saúde da mulher na transição menopausal com visão integrada pela medicina e nutrição de precisão.